Segunda-feira, 02 de Julho de 2012

 

Caiu o pano sobre esta grande peça teatral, que durante dezasseis dias foi exibida em vários palcos e em todos os pontos do país. Poderia dizer que terminou mais um acto eleitoral em Cabo Verde, mas não o faço, pelo simples facto de ter constatado que as eleições nestas ilhas têm se revelado um autêntico Midelact fora de época. Ficou provado que esta campanha foi carregada de violência, de ganância e de uma sede de poder doentia. Durante estes dias, tivemos a oportunidade de assistir brigas entre candidatos, assaltos a viaturas, coronhadas, assaltos a instituições públicas e muitos mais actos, que não dignificam em nada a imagem do nosso país. Mas constatei muito mais, antigamente quem subia no palco para discursar, era o alfabetizado, enquanto na plateia ficavam os analfabetos, mas pelos vistos as coisas já não funcionam desta forma, nos dias de hoje, o analfabeto sobe no palco e os instruídos ficam na plateia escutando o gaguejar dos candidatos, algo que deixa este povo estupefacto, mergulhado numa grande pasmaceira. Já tinha dito aqui, que os candidatos escolhidos pelos partidos políticos eram muito fracos, sem bagagem, sem experiência, sem visão, sem projectos, carregados de nada para estes municípios, analfabetos na questão de desenvolvimento local, preocupados apenas com o poder e com as negociatas que podem advir de uma suposta vitória. Estas escolhas dificultaram e muito o trabalho do povo, que é quase que obrigado a ir às urnas escolher um candidato que a partida não tem nada para o seu município, mas se por um lado o povo é o maior prejudicado neste processo, por outro, os partidos políticos pagam uma factura muito cara, ccarregando uma pesada derrota nas costas. Olhando para os resultados, há uma clara vontade de mudança, o amarelo, cor de amadurecimento, velhice, cansaço, estagnação, começa a ser substituída pelo verde, cor de juventude, força, garra, engajamento, irreverência e vontade trabalhar. As políticas, corrigindo, as teimosias do governo estão a afundar o partido e se tudo continuar assim, nas próximas legislativas voltaremos ao ano de noventa e um para assistirmos mais uma pesada derrota do partido da situação. Está casmurrice de continuar a sufocar alguns municípios, pelo simples facto de serem liderados por candidatos da oposição é uma grande asneirada política, é uma irresponsabilidade e uma grande falta de visão política. Pois, na hora de escolhermos os nossos representantes, mesmo que o nosso município esteja afundado num grande marasmo, acabaremos sempre por analisar os factos e escolher o candidato que esteve ao nosso lado, lutando, labutando, fazendo milagres para fazer pequenas obras, como aconteceu na ilha de Soncent, que numa atitude de muita coragem e que não poderia deixar de realçar aqui, deram uma grande lição ao governo, não acreditando, limitando a menosprezar as propostas do candidato escolhido por esta cor política. Com o tempo, aprendemos a receber de bom grado e com um largo sorriso no rosto, as esmolas distribuídas durante a campanha, pois, as cestas básicas, os saquinhos de cimento e alguns contos dão um grande jeito aos munícipes que passam fome durante quatro anos e alimentam durante quinze dias. Seria orgulho em demasia, criaturas que levantem sem nada para matar o jejum e dormem sem jantar, negarem esta ajuda preciosa, esta caridade, este acto de solidariedade que muitos chamam de compra de consciência. Podem continuar a fazer esta distribuição, ela é mais do que justa, pois, é a única oportunidade que o povinho tem para tirar partido dos seus impostos pagos. Podem continuar com esta forma mesquinha e asquerosa de fazer política, o povo agradece, é que apreendemos com a cara de lata dos candidatos, como ser cínicos, falsos, desonestos, imorais, hipócritas, descarados e sem palavras. Se por um lado, os candidatos fazem promessas que jamais serão cumpridas, do outro,o povo aceita qualquer tipo de esmola, promete votar no candidato que o estendeu as mãos, mas na hora de votar, coloquem aquela cruzinha no seu adversário de propósito, por brio de corpo, por vingança, para mostrar ao outro que não se deve tratar um homem de parvo. Falando deste assunto, quem não lembra do episódio triste que teve lugar no Paiol nas eleições de 2008? Para terminar, quero aqui parabenizar os vencedores e relembrá-los que foram colocados ali para trabalharem em prol do desenvolvimento local, regional, nacional e internacional, pois “agir localmente, desenvolver globalmente”. Quanto ao povo, um muito obrigado por terem tido um comportamento muito mais louvável do que muitos dos candidatos, mostraram serenidade, responsabilidade e sem medo de nada, mais uma vez votaram e escolheram os seus representantes locais. A oposição, tem de continuar a fiscalizar, a denunciar e a colocar os interesses do país a frente de qualquer interesse partidário ou pessoal. Ao governo, que esta derrota que deve ter caído no paladar como fel, sirva de lição, e que seja o ponto de viragem das más políticas implementadas pelo partido da situação.



publicado por Helder Fortes às 10:00
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